sábado, 8 de maio de 2010

Judeus e eu

Existe em minha casa uma sensação chamada Esperança. A vontade dela (pois é uma sensação cheia de vontades) é ganhar o planeta, ganhar um trabalho que lhe pague o ócio, ganhar um coração vermelho e cheio.
Existe nessa mesma casa uma árvore que dá romã. Judeus e eu acreditamos que a romã na virada do ano contribui pra que o próximo seja melhor do que o que vai embora. Eu também chamo isso de Esperança. Não sei os Judeus.
Existem também os seres florestais, as cantoras de jazz. Devem existir trocentas sensações esperançosas, quatrocentas certidões de Esperanças. Mas é só do ser de luz que habita as dependências da minha casa em quem eu penso quando eu leio poemas que tragam a sensação "Esperança" embutida. Quando eu penso que eu quero ver o rio se dissolver no mar do Egito. Quando eu quero sentir o destino dos ventos. Quando eu me entendo nesses textos e penso nos que não se entendem nos seus textos e sonhos.
Esperança Feitosa da Costa* é a pessoa mais bruta** que eu tive a oportunidade de conviver.
Mais bruta que qualquer trovoada seca.


O mar se disolve com o Rio e os pássaros da região, evidentemente, celebram.


*nome abolutamente fictício para melhor preservação da personagem citada;
**é necessário a reflexão sobre a essência da palavra "bruta".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

aumentar nitidez


eu, que ainda moro nessa mesma rua, que já pedi o pouco, perdi o muito e ganhei um cisco, quero só abraçar o que for maior que um jacarandá de 156 anos. quero só comer até ter azia em sonho.
só me despedaçar de pouquinho com cada estrada. viver tanto quanto baratas.
aprender com as formigas. pero no mucho, sola.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

que deus sempre me permita

ter os olhos fechados para o beijo
e aberto para a vida.


filipe couto


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

há dias


há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
esses dias eu me parti em pátios partidos de carnaval.


foto por caio bruno por uma calçada festiva de sta tereza.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

a tragédia da cor



O choque foi tamanho que
o amarelo queimou o bolo,
o branco perdeu a voz na missa e
o azul marinho decidiu se jogar ao mar.
o preto de luto anunciou:

- o marrom morreu.






(Pinacoteca, velório no local até as 16h.)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

eu só pretendo um dia ter uma retina reflex,

e ser uma tentativa humana de contemporaneidade sempre.
mas não importa o que eu tome, o que eu ponha nos olhos. sempre vai serenar agonia pela frente para parecer anos 60.



Era dela

Ela trouxe no bolso
Um quilo de tempo
2 litros calmos
Dieta de metros

5 azuis.
Pensei. Era pós-moderna.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Garçon, você aí, de novo...

- ...mas e se a vida só se fez de louca?
- então, conhaque pros valentes, menina.


(deus, eu passo sete dias úteis traçando nove dias fúteis.)